Cobra Kai, Karatê Kid e os irresistíveis anos 80



O passado rende. Grana e boas histórias. A bola da vez, já há alguns anos, são as anos 80. O outrora muito odiado e hoje adorado ‘Anos80’.

Para apontar três produções que homenageiam a cultura pop dessa década, apelando para o sentimento de nostalgia, temos as duas temporadas de STRANGER THINGS, do Netflix, um pastiche delicioso do horror e sci-fi oitentista; JOGADOR Nº1, de Steven Spielberg, cujos heróis tem os games e filmes do período quase como objetos de culto; e BINGO: O REI DAS MANHÃS, a cinebiografia do Arlindo Barreto, o Bozo mais famoso do SBT, de 1983 a 87.

Além das releituras, há as refilmagens. SOS Malibu, Os Caça Fantasmas, Poltergeist, Mad Max, Robocop, A Hora do Pesadelo, Sexta-Feira 13 e Férias Frustradas são algumas delas.

E há outra categoria, a das produções recentes que dão continuidade à história de antigos personagens. É o caso de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, os filmes do Star Wars, e o Blade Runner 2049 (extraordinário filme de Denis Villeneuve). E é o caso do recente COBRA KAI, produção original do Youtube.


Cobra Kai é o nome do Dojô onde treinavam os antagonistas de Daniel LaRusso, o heróis dos filmes KARATÊ KID. Como qualquer aventura familiar dos anos 80, Karatê Kid era uma história do bem contra o mal. O novato Daniel e seu mestre, o senhor Miyagi, eram os heróis, enquanto os meninos do Cobra e seu cruel sensei, Kreese, eram totalmente do mal.

Uma das maiores virtudes dos dez capítulos de COBRA KAI é deixar esse maniqueísmo de lado. Johnny Lawrence, passa de vilão a protagonista. Amargo, fracassado e preso ao passado, ele se mostra um personagem infinitamente mais interessante que o bem sucedido e certinho Daniel LaRusso. A trama oscila entre humor e melodrama de maneira equilibrada. O elenco jovem é ótimo e dá sentido ao embate de velhos rivais. O roteiro, embora se sustente nas bases da nostalgia de seu público alvo de 30 a 40 anos, é honesto e consegue fugir dos lugares comuns mais óbvios ou soluções toscas.    

De todas as vezes que os anos 80 foram evocados nos cinemas ou na tv, essa é a que o resultado foi mais bem sucedido.

E que venha a segunda temporada!



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