Danilo Gentili é um ator horrível. Nem o Zach Efron consegue ser pior do que ele. E a tosquice da atuação combina muito bem com a tosquice do filme.
Tosco, aqui, é qualidade. Como se tornar o pior aluno da escola, filme precedente de Gentili, dirigido pelo mesmo Fabricio Bittar, era molengo, arrastado, e apenas invertia o princípio de disciplina, sem eliminá-lo. Agora, Os exterminadores do além contra a loira do banheiro deu certo. Entra num delírio sem limites, gore-escatológico-escrachado-delícia. Arrasa com o bom gosto e a coerência. É uma festa contra o mundo disciplinar da escola, bem definido pelas colunas imponentes e severas do colégio.

Tosco, aqui, é qualidade. Como se tornar o pior aluno da escola, filme precedente de Gentili, dirigido pelo mesmo Fabricio Bittar, era molengo, arrastado, e apenas invertia o princípio de disciplina, sem eliminá-lo. Agora, Os exterminadores do além contra a loira do banheiro deu certo. Entra num delírio sem limites, gore-escatológico-escrachado-delícia. Arrasa com o bom gosto e a coerência. É uma festa contra o mundo disciplinar da escola, bem definido pelas colunas imponentes e severas do colégio.

Cria sensação libertária. O gênio dos Marx Brothers, com a violência do humor corrosivo e popular que era o deles, também demoliu a a pompa vaidosa da erudição universitária em Horse Feathers ou Os Gênios da Pelota, de 1932.
A escola é uma panela de pressão que concentra impulsos, desesperos, angústias muito fortes. E Os exterminadores do além contra a loira do banheiro tem gosto forte e enérgico de ajuste sincero de contas. Fiquei pensando: o humor transgressivo dos Marx Brothers, assim como o de muitas chanchadas brasileiras - com a fenomenal dupla Oscarito e Grande Otelo sobretudo - era inocente. Quero dizer, Os exterminadores etc também, no sentido de existir sem complicações. Mas não no sentido de poder ser visto "por todas as idades". O filme foi censurado para menores de 16 anos e com razão. Para quem ele foi feito, então, esse filme sobre o mundo da escola? Para adultos nostálgicos. Deu certo. É cinema de fato, é imaginação que galopa.
Eu vi No portal da eternidade
Muito pior que um filme ruim: um filme nocivo. Biografia de van Gogh, feita de clichês todos falsos, culminando nos falsos desenhos do álbum encontrado em 2016 e no falso assassinato sensacionalista que substituiria sua morte por suicídio.
Clichês falsos, porém, não bastam para tornar um filme nocivo e ruim. O que o faz assim é o disseminar de sinais falsamente poéticos que são tomados por verdadeiros (ah, as intermináveis, insuportáveis caminhadas do pintor pela natureza!); de imagens banais falsamente bonitas; de diálogos estúpidos, rasos e pretensiosos (a interpretação pseudopsicanalítica que o dr. Rey faz da orelha cortada, a espiritualidade de quinta categoria). Sem contar que os quadros mostrados e que tentam imitar van Gogh são horríveis, piores do que as cópias que são hoje feitas na China.
O filme é nocivo porque consegue vender esse ouro de bolonha como quilate verdadeiro. Nada pior do que sinais exteriores de cultura para destruir a cultura de fato, que cada um cria dentro de si, com autênticos prazeres e verdades autênticas.
O filme me deu vontade de voltar correndo para A loira do banheiro, com seu humor de arrasa-quarteirão. Mas é melhor voltar mesmo para Lust for life, ou, no Brasil, Sede de viver, que Vincent Minelli filmou em 1956: uma obra-prima insuperável, a mais estupenda biografia de artista jamais realizada pelo cinema.
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Kirk Douglas como van Gogh em "Sede de viver", |
Pois é, Jorge, eu gostei da Loira do Banheiro, mas não tanto quanto você. Ele tem uma meia dúzia de boas idéias (a luta contra o feto, e o cocô com vida são achados maravilhosos), mas o humor no geral achei sem graça. Discordando de você, ainda acho o Pior Aluno um filme bem legal, embora cheio de problemas também. O Gentili é um cara odiado por muita gente por sua afinidade política com os conservadores de direita, mas ele tem essa qualidade de moleque nostálgico que rende essas pérolas: parecem filmes saídos de uma sessão de madrugada do sbt, ou de uma fita empoeirada em vhs, daquelas que ficavam no fundo da prateleira da locadora. Seus dois filmes foram muito bem de bilheteria, então podemos esperar mais coisas no futuro. Sorte nossa.
ResponderExcluirO Pior aluno é bem menos estruturado que a Loira (a unidade de lugar é um dos meios dessa estrutura, mas a unidade de grupo também). Mais subversivo também, na destruição da escola, e não na construção do aluno boa-vida. Não é filme para gargalhadas, mas para o sorriso que a sátira provoca. Quanto a gostar, nem discuto, porque gosto, como se diz, não se discute...
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